Consumo precoce de substâncias e uso problemático de videogames na adolescência

Consumo precoce de substâncias e uso problemático de videogames na adolescência

Uma pesquisa realizada na França em abril de 2015 com 1.423 adolescentes analisou a conexão entre o uso de videogames e o consumo de álcool, cigarro e maconha na adolescência. Este estudo partiu da hipótese de que há um perfil comum de jovens que são viciados em videogames e jovens que têm o risco de desenvolver esse vício.

A partir de um levantamento das últimas pesquisas realizadas sobre o uso de drogas em adolescentes, o uso de videogames e a relação entre esses dois, esta pesquisa apresentou alguns dados interessantes. Em relação ao consumo de drogas, foram apresentadas duas pesquisas. A primeira foi de 2010, que mostrou que jovens entre 11 e 16 anos usam com alguma frequência álcool, cigarro e maconha e que esse uso aumenta conforme a idade. Dos estudantes da sexta série, com idades entre 11 e 12 anos, 59,3% já consumiram álcool, 12,7% cigarro e 1,5% maconha, sendo que 6,8% relataram já terem ficado bêbados. Já os adolescentes do nono ano, com idades entre 14 e 15 anos, 34% afirmaram já terem ficado bêbados pelo menos uma vez. A segunda pesquisa realizada em 2011 apontou que 75% dos adolescentes com 17 anos declararam que no último mês usaram álcool, 42% que fumaram cigarros e 26,8% que usaram maconha.

Quanto ao uso de videogames, pesquisas apontam que 87% dos adolescentes entre 11 e 13 anos e 80% dos adolescentes entre 15 e 17 anos jogam videogames pelo menos 1 vez ao dia, sendo que a grande maioria joga online. A noção de "dependência de videogames" ainda não é uma doença estabelecida, no entanto, o termo “Internet Gaming Disorder”, que na tradução significa “Transtorno de Jogos pela Internet” foi introduzido no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5). A maioria dos estudos que analisam o uso online de videogames usam o termo mais amplo de “ciberdependência”. A noção do uso problemático de videogames começou a ser estudado mais intensamente pela ciência nos últimos 10 anos e as definições e características se mostram cada vez mais semelhantes aos sintomas dos dependentes químicos.

No que se refere ao uso de videogames e ao uso de substâncias na adolescência, uma pesquisa recente mostra que meninos que usam álcool, cigarro e maconha têm o dobro de risco de desenvolverem vício em videogames em comparação aos meninos que não usam. Outro estudo realizado com 4.691 estudantes da escola primária demonstrou que o consumo do álcool está relacionado com o tempo gasto jogando videogames, ou seja, quanto maior o consumo de álcool, maior é o uso de videogames. Quando o consumo de substâncias, em especial o álcool, é iniciado antes dos 13 anos, há uma maior correlação com o uso frequente de TV, computador e videogame. Uma curiosidade é que na população adulta, o vício em videogames está mais relacionado ao cigarro do que ao álcool.

A conclusão que este estudo francês chegou foi que dos 1.423 adolescentes que responderam a pesquisa, 92,1% jogam videogames, sendo que destes, 17,7% apresentam um uso problemático (vício) em videogame. Em relação ao consumo de substâncias, 19,8% relataram usar álcool, 8,3% maconha e 5,2% uma dependência moderada de cigarro.

Nesta pesquisa, os adolescentes que mais jogam videogames são os adolescentes que consomem mais álcool, o que não é o caso do cigarro e da maconha, no qual o uso não apresentou relação com o vício em videogames. Embora o vício em videogames seja potencialmente transitório, este estudo concluiu que o consumo de substâncias iniciado cedo predispõe ao desenvolvimento de dependências futuras. Neste estudo o uso problemático de videogames não apresentou uma relação com a idade do primeiro consumo de substâncias, mas apresentou uma relação com o tempo gasto no videogame.

Se interessou pelo tema? Para ler a pesquisa completa acesse: https://www.frontiersin.org/articles/…/fpsyg.2015.00501/full